Se você acordasse um dia, e descobrisse com exatidão o rumo de sua vida daqui a seis meses, como você reagiria? Faria de tudo para confirmar seu “destino”, ou faria o possível para evitá-lo? Ou, ainda mais complicado, você seria capaz de seguir em frente com a sua vida ignorando o novo conhecimento adquirido, numa atitude “o que tiver de ser, será”?
Flash Forward foi anunciada como promessa de sensação da temporada, a série que substituiria Lost, mas quem assiste sabe que os caras ainda não conseguiram atingir o nível de excelência da primeira temporada da série do Hurley. O que não é necessariamente uma coisa ruim, uma vez que, depois da primeira temporada, muitas das qualidades que nos fizeram ficar loucos por Lost deixaram de existir.
Eu sigo gostando muito da trama que foi criada em FF, principalmente porque eu consigo me imaginar no lugar daqueles personagens. Eu entendo o desespero da Olivia em cogitar a possibilidade do fim muito próximo de um relacionamento importante e duradouro. Junto com o desespero, eu imagino que existe um mínimo de excitação a respeito deste outro homem, desconhecido porém familiar, e por quem ela nutrirá (a princípio) sentimentos verdadeiros.
Consigo imaginar o nó na cabeça de uma mulher homossexual que se viu grávida daqui a muito pouco tempo. Pense bem, nem precisa ser gay. Basta ser solteira para que a remota possibilidade de uma gravidez de curto prazo seja assustadora o suficiente.
Entendo as esperanças mais infundadas de um pai que sonha rever a filha que ele sabe que morreu. E, apesar de não conseguir me imaginar na mesma situação, eu acredito que deve ser impossível descobrir que você vai morrer. Porque não é um dia, num futuro próximo, de preferência de velhice e durante o sono. O Demitri sabe que (novamente, a princípio) ele não estará vivo daqui a seis meses. Ele sabe inclusive a data de sua morte.
Meu interessem em Flash Forward extrapolou a história criada por eles, e chegou a um nível meio “Fringe”, ou “The 4400”, que consiste em, independente da história contada, eu sempre conseguir me imaginar, de alguma maneira, inserida naquele contexto. Em Fringe e The 4400 chega até a ser mais fácil, quer dizer, quem nunca brincou de X-Men, ou imaginou que tinha super poderes em algum momento da vida?
Há várias coisas que eu gostaria que acontecessem comigo no futuro. Mas o que exatamente eu gostaria de ser capaz de ver? Quantas coisas eu poderia estar fazendo, durante 2 minutos e 17 segundos de um dia qualquer daqui a seis meses? E você? O que você gostaria de ver?
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