sábado, 17 de outubro de 2009

Generation Kill – A Descoberta


Há alguns dias atrás a HBO liberou o sinal para os não-assinantes. Eu, que não sou boba, passei os dias programando meus horários de acordo com a programação do canal. Hoje em dia eu não acho mais que a HBO é uma das sete maravilhas do universo, pelo menos no quesito filmes. Mas to começando a ver a grandiosidade que todo mundo enxerga quando se trata de séries.


No meio de um filme chato eu comecei a zapear procurando por alguma coisa potencialmente mais interessante. Parei no começo do segundo episódio de Generation Kill. Eu já tinha ouvido falar da minissérie. É baseada no livro de Evan Wright, repórter da Rolling Stone enviado ao Iraque para acompanhar o primeiro batalhão de reconhecimento dos fuzileiros navais durante as primeiras etapas da invasão ao país.


Guerra nunca foi um tema atraente pra mim. Mesmo assim, por algum motivo, eu continuei assistindo (durante os primeiros vinte minutos ainda voltando no filme chato pra ver o que ia acontecer). Mas eu não demorei a perceber que eu estava muito mais interessada na série, apesar do tema desagradável. Muito do interesse surgiu justamente da percepção de que a série não era desagradável, nem de longe.


Logo no começo eu me peguei rindo dos diálogos de humor negro entre os membros do batalhão. Não é uma comédia, mas eu dei algumas boas gargalhadas no decorrer do episódio. O jeito de contar a história – leve, com um toque de humor – se manteve no decorrer do episódio, e me deixou com vontade saber onde aquilo tudo ia dar. Se tratando de uma minissérie de sete partes, não seria nenhum sacrifício correr atrás dos outros e assistir.


Todos aqueles atores que eu conhecia de algum lugar...

Especialmente com um atrativo mais que especial: Alexander Skarsgard, vulgo Eric de True Blood, tem um dos papéis centrais da série. E apesar de todo meu amor por ele, eu demorei alguns minutos pra perceber exatamente de onde aquele rosto era familiar. Ele está TOTALMENTE diferente do Eric, a aparência é só um dos aspectos que diferenciam os dois personagens.


Além do Eric, Generation Kill tem vários rostos familiares para quem acompanha séries compulsivamente como eu. Praticamente ninguém é estranho, e ao mesmo tempo, ninguém é famoso. Tem o Kellan Lutz (foto), o Emmet de Crepúsculo, que também já fez ponta em 90210. O repórter da Rolling Stone é interpretado por Lee Tergesen, que fez Desperate Housewives algumas temporadas atrás.


O Primeiro Tenente é interpretado por Stark Sands, que já fez um episódio de Nip/Tuck como o filho deficiente do Sean. Um dos personagens mais legais, o Godfather (ele sempre fala de si mesmo na terceira pessoa, adoro!) é interpretado pelo Chance Kelly, um vilão recorrente na primeira temporada de Fringe. Estes são apenas os mais conhecidos.


Uma das características mais marcantes da minha obsessão é que eu fico estranhamente à vontade quando eu encontro rostos familiares em alguma produção desconhecida. Estava praticamente me sentindo em casa.


Companhia Bravo – Segundo Pelotão do Primeiro Batalhão de Reconhecimento: Quem é quem


A série tem bastante foco no veículo principal da Companhia Bravo. Neles estão alguns dos personagens mais recorrentes: Sgt Brad Colbert, Ray Person, James Trombley e o Repórter Evan Wright. Conheça um pouco mais sobre eles abaixo.


Sargento Brad ‘Iceman’ Colbert
(Alexander Skarsgard) – É um dos militares mais experientes do pelotão. Bem “Alpha Male” mesmo, respeitado por todos e temido por alguns. Passa uma imagem muito profissional, de que é experiente e que sabe o que está fazendo. Ao mesmo tempo, existe um quê de figura paterna em relação aos recrutas mais jovens, um tipo de preocupação que demonstra um lado humano bacana dele. Apesar da experiência de guerra, ele não parece ser acostumado a matar civis sem motivo nenhum – o que acontece com uma enorme freqüência – e acaba levando alguns casos para o lado pessoal.



Cabo Josh Ray Person (James Randsone) – De longe meu personagem favorito. Um ogro, me lembra o ‘The Todd’ de Scrubs de tão escroto. Mas também é o mais divertido. Tem as falas mais absurdas e mais sem noção de toda a série. Raramente leva alguma coisa a sério (se leva, não deixa transparecer), é um dos soldados que mais se preocupa com o rumor da eventual morte da Jennifer Lopes. Fala palavrão o tempo todo, fala de sexo o tempo todo, fala o tempo todo, ponto. Se foi retratado corretamente, deve ser um mala. Mas repito: eu adorei.




Cabo James Trombley (Billy Lush) – Jovem, está ali apenas por obrigação e deixa claro que não “se importa” com uma morte que provocou, já que não tem intenção de seguir carreira militar. Em determinados momentos dá para perceber que ele chega a ser desequilibrado de tão frio, e em um episódio específico ele diz que gostaria se saber como é tomar um tiro.




Tenente Coronel Stephen ‘Godfather’ Ferrano (Chance Kelly) – É a maior autoridade militar no pelotão. Ele dá as ordens, mas não participa das missões. Passa a impressão de ser muito sério e linha dura, mas eu achei (aí não sei se fui eu, ou se o roteiro me induziu) o cara legal, quase divertido (talvez seja porque eu me diverti com ele falando de si mesmo na terceira pessoa).






Primeiro Tenente Nathan Flick (Stark Sands) – Está logo abaixo do Capitão do pelotão. É muito novo, mas passa a impressão de ser muito experiente e bom no que faz. Totalmente profissional e muito respeitado por seus subordinados (muitos são mais velhos que ele), não deu pra ter uma opinião de como ele é pessoalmente.





É preciso ver graça na desgraça

Corri atrás dos demais episódios e minha impressão da série continuou intacta. Apesar de se tratar de um assunto sério, em momento nenhum eu me senti incomodada. Definitivamente um dos maiores méritos é contar uma história difícil com bom humor. Não é nada bobo, desnecessário ou gratuito. É uma forma de amenizar um tema que normalmente é muito pesado, e balancear todo o horror que também é mostrado.


Eu passei mal de rir dos soldados preocupados com os rumores da morte da Jennifer Lopes, das longas viagens ao som de Lovin’ You da Minnie Riperton, e de músicas do Nelly e da Avril Lavigne, tudo cantado a capella. Me diverti tentando me acostumar com os apelidos, já que quase ninguém é chamado pelo nome. Além do Godfather, tem um Q-Tip e um Captain America. O Evan Wright só foi chamado pelo nome uma vez, depois disso virou o “Reporter”, ou “Rolling Stone”.

Em Generation Kill, a guerra é contada do ponto de vista dos membros do exército; retrata o olhar que os próprios fuzileiros navais têm sobre a guerra. Eles não são heróis convencidos de que estão fazendo a coisa certa. Eles estão longe de ser heróis e sabem disso.

De muitas maneiras, quando você destrincha o batalhão e observa os indivíduos, dá pra perceber o quanto eles são parecidos com você ou comigo. São pessoas que passam o dia todo vendo graça na desgraça e fazendo piadinhas de mau gosto, não porque são insensíveis, mas porque sabem que se levarem tudo à sério, eles vão enlouquecer.


Foi muito agradável a surpresa de gostar sinceramente de uma série cujo tema normalmente me repele. Foi ainda mais agradável finalmente descobrir este lado da HBO que eu sempre negligenciei. Eu nunca gostei das categorias de minissérie e filme pra TV no Emmy, mas depois de Generation Kill, eu entendi perfeitamente porque este canal é tão premiado.


“It’s Not TV. It’s HBO” é um slogan totalmente verdadeiro. A qualidade da série vai além da superprodução, das locações incríveis, de efeitos especiais. Eu na verdade raramente ligo para este lado mais técnico. O que eu vejo de incrível em Generation Kill é que a minissérie tem um texto esperto, rápido e divertido, personagens totalmente verossímeis e uma história muito bem contada para o público que é “leigo” quando o assunto é guerra ou conflitos internacionais. Recomendo e admito que – antes tarde do que nunca – eu caí nos encantos do canal.

Um comentário:

  1. Lee Tergesen é mais conhecido pelo seriado Oz, em que ele interpretava Tobias Beecher, tendo cenas memoráveis com Chris Meloni, que agora está em Law and Order; SVU.

    Lee faz o escriba em Generation Kill e ele é, sem dúvida, um dos maiores atores da atualidade.

    Por causa dele, Oz é uma das melhores séries de todos os tempos.

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